O CFOP 6202 é um dos códigos fiscais mais utilizados por empresas que realizam operações interestaduais envolvendo devoluções de mercadorias. Apesar de ser bastante comum na emissão de notas fiscais eletrônicas (NF-e), muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre quando utilizá-lo, quais são as regras da legislação e quais cuidados devem ser tomados para evitar problemas fiscais.
Escolher o CFOP incorreto pode gerar rejeições na nota fiscal, dificuldades na escrituração, inconsistências perante a Secretaria da Fazenda (SEFAZ) e até mesmo autuações fiscais. Por isso, entender exatamente como funciona o CFOP 6202 é fundamental para empresas de todos os portes.

Neste guia completo você vai descobrir o significado do CFOP 6202, quando ele deve ser utilizado, quais operações ele representa, exemplos práticos e as diferenças em relação a outros códigos semelhantes.
O que é CFOP?
CFOP significa Código Fiscal de Operações e Prestações.
Esse código é utilizado para identificar a natureza de cada operação realizada por uma empresa na emissão de documentos fiscais.
Cada CFOP informa ao Fisco:
- O tipo da operação;
- Se a movimentação é de entrada ou saída;
- Se ocorre dentro do mesmo estado ou entre estados diferentes;
- A finalidade da nota fiscal;
- Como será feita a tributação da operação.
Por esse motivo, informar o código correto é essencial para que a nota fiscal seja emitida de acordo com a legislação vigente.
O que significa o CFOP 6202?
O CFOP 6202 corresponde à:
“Devolução de compra para comercialização.”
Esse código é utilizado quando uma empresa devolve ao fornecedor uma mercadoria que havia sido adquirida para revenda e cuja devolução ocorre para outro estado.
Como o primeiro dígito é o número 6, isso indica que se trata de uma saída interestadual.
Ou seja, o fornecedor e o comprador estão localizados em estados diferentes.
Quando utilizar o CFOP 6202?
O CFOP 6202 deve ser utilizado quando ocorrerem as seguintes situações:
- A empresa comprou mercadorias para revenda;
- O fornecedor está localizado em outro estado;
- A mercadoria será devolvida total ou parcialmente;
- Será emitida uma nota fiscal de devolução.
Esse procedimento é bastante comum quando existem problemas como:
- Produto com defeito;
- Mercadoria entregue incorretamente;
- Divergência entre pedido e entrega;
- Erro na quantidade enviada;
- Cancelamento da compra;
- Troca autorizada pelo fornecedor.
Como funciona a devolução utilizando o CFOP 6202?
Na prática, o processo costuma seguir algumas etapas.
Primeiro ocorre a compra da mercadoria.
Depois a empresa identifica algum problema que exige a devolução.
Em seguida é emitida uma Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) utilizando o CFOP 6202 para documentar o retorno da mercadoria ao fornecedor localizado em outro estado.
Essa nota deve fazer referência ao documento fiscal original da compra sempre que possível.
Exemplo de utilização
Imagine a seguinte situação.
Uma loja localizada em São Paulo compra cem cadeiras de um fornecedor situado em Minas Gerais.
Após o recebimento é identificado que vinte unidades chegaram danificadas.
Como a compra foi destinada à revenda e a devolução será feita para outro estado, a empresa deverá emitir uma NF-e utilizando o CFOP 6202 para devolver essas vinte cadeiras.
Diferença entre CFOP 5202 e 6202
Essa é uma das dúvidas mais frequentes.
Embora ambos sejam utilizados para devolução de compra para comercialização, existe uma diferença importante.
CFOP 5202
- Utilizado em operações dentro do mesmo estado.
- O fornecedor e o comprador pertencem à mesma unidade da Federação.
CFOP 6202
- Utilizado em operações interestaduais.
- O fornecedor está localizado em outro estado.
Portanto, a principal diferença está apenas na localização das empresas envolvidas.
Quais impostos podem estar envolvidos?
A tributação depende do tipo de operação e do regime tributário da empresa.
Entre os tributos que podem aparecer na nota estão:
- ICMS;
- ICMS-ST, quando aplicável;
- IPI, em determinadas operações;
- PIS;
- COFINS.
A nota de devolução normalmente deve refletir os mesmos tributos constantes na nota fiscal original, respeitando a legislação vigente.
Por isso é importante que a emissão seja realizada com atenção ou com o auxílio do contador responsável pela empresa.
Informações importantes na nota fiscal
Ao emitir uma NF-e com CFOP 6202 normalmente devem constar informações como:
- Chave da nota fiscal de origem;
- Dados completos do fornecedor;
- Quantidade devolvida;
- Valor unitário;
- Base de cálculo dos impostos;
- Motivo da devolução.
Essas informações ajudam a manter a rastreabilidade da operação e facilitam futuras fiscalizações.
Quais erros devem ser evitados?
Alguns erros são bastante comuns durante a emissão.
Entre eles:
- Utilizar CFOP destinado a operações internas;
- Informar tributos diferentes da nota original sem justificativa;
- Não referenciar a nota fiscal de compra;
- Informar quantidade incorreta;
- Emitir devolução para destinatário diferente do fornecedor original.
Esses erros podem gerar rejeições na NF-e ou inconsistências fiscais.
Perguntas frequentes
O CFOP 6202 é utilizado para entrada ou saída?
É utilizado em uma nota fiscal de saída, pois a empresa está enviando a mercadoria de volta ao fornecedor localizado em outro estado.
Pode ser usado para devolução parcial?
Sim. O CFOP 6202 pode ser utilizado tanto para devoluções parciais quanto para devoluções integrais da mercadoria.
Esse CFOP serve para consumidor final?
Não. Ele é destinado à devolução de compras realizadas para comercialização, ou seja, mercadorias adquiridas para revenda.
Posso utilizar o CFOP 6202 no Simples Nacional?
Sim. Empresas optantes pelo Simples Nacional também podem utilizar esse código quando a operação atender aos requisitos previstos na legislação.
É obrigatório informar a nota original?
Na maioria das situações, sim. Referenciar a nota fiscal de origem facilita a identificação da operação e contribui para a correta escrituração fiscal.
Conhecer o funcionamento do CFOP 6202 é essencial para evitar erros na emissão de notas fiscais e garantir que as devoluções interestaduais de mercadorias destinadas à comercialização sejam registradas corretamente. Sempre que houver dúvidas sobre a tributação ou sobre situações específicas, a recomendação é consultar um contador, pois a interpretação da legislação pode variar conforme a operação e as normas aplicáveis em cada estado.




